A questão do intenso aumento populacional da capivara está ligada a um grande problema de saúde pública, já que o animal é hospedeiro do carrapato ou micuim da espécie Amblyomma Cajennense, transmissor da febre maculosa, causada pela bactéria Rickettsia Rickettsii, doença que pode matar. Esse carrapato hematófago pode ser encontrado em animais de grande porte (bois, cavalos etc.), cães, aves domésticas, roedores e, especialmente, na capivara, o maior de todos os reservatórios naturais. Apesar da grande letalidade (cerca de 85%), a doença tem cura, desde que seja tratada nos primeiros dias do contágio, sendo que não há transmissão da doença de uma pessoa a outra.

A capivara (Hydrochaeris hydrochaeris) é, provavelmente, o mamífero silvestre mais conhecido dos habitantes dos grandes centros urbanos, apesar do desconhecimento dessa população sobre a fauna nativa. Muitos já se depararam com o animal em parques públicos, em condomínios privados ou mesmo atravessando vagarosamente as ruas das cidades.

 

 

As fêmeas fecundadas do carrapato se desprendem do hospedeiro e colocam de 5.000 a 8.000 ovos, os quais se prendem na vegetação e se transformam nas formas jovens, conhecidas popularmente por micuim, esperando a passagem de um novo hospedeiro. Vale lembrar que nem sempre as capivaras possuem o carrapato-estrela ou possuem o carrapato contaminado.

Por isso, para o controle da doença é necessário saber se na área há carrapatos e se esses possuem a bactéria, o que pode ser constatado por meio de levantamentos específicos. Caso sejam positivos, deve-se fazer o manejo ambiental das populações de carrapatos e de capivaras, o qual deve ser licenciado junto ao órgão ambiental estadual e feito por técnicos especializados.

É importante esclarecer que a capivara não é responsável pela doença, sendo somente um hospedeiro.

 

O que acontece para que esse animal esteja tão presente na cidade?

É sabido que o habitat natural das capivaras é contemplado por rios, charcos e matas nativas. Nas cidades a capivara não encontra predadores, como a onça. Além disso, há alimento farto com grandes gramados e áreas com capins variados. Dessa forma, essa população prospera, já que a cada 120 dias a fêmea pode gerar em média 3 filhotes, o que faz com que os bandos se tornem muito grandes.

Se, por acaso, estiver numa área em que essa fauna possa existir, tome as seguintes precauções:

•  Examine seu corpo cuidadosamente a cada três horas ao menos, já que o carrapato-estrela transmite a bactéria responsável pela doença apenas depois de, pelo menos, quatro horas grudado na pele;

•  Use roupas claras, uma vez que facilitam a melhor visualização dos carrapatos;

•  Coloque a barra das calças dentro das meias e calce botas de cano mais alto, quando estiver nas áreas em que possam estar infestadas por carrapatos;

•  Tenha cuidado ao retirar o carrapato que estiver grudado em sua pele;

•  Não se esqueça de que os sintomas iniciais da febre maculosa são semelhantes aos de outras infecções, o que requer assistência médica imediata. Esteja atento ao aparecimento dos sintomas comuns a vários tipos de infecção e procure um médico para diagnóstico especializado.

 

A Pró-Ambiente realiza estudos visando a identificação e controle de carrapatos e o manejo ambiental e populacional de capivaras há mais de dezoito anos, com larga experiência na área.  Faça um diagnóstico para implementação do manejo de fauna dedicado à sua empresa!

 

Por: Maria de Fátima Tonon, bióloga e sócia-diretora da Consultoria Ambiental, Pró Ambiente Campinas.