Hoje, o que temos para ver e conhecer da antiga Mata Atlântica são apenas 12,5% do que restou. Seu território original passa por 17 Estados brasileiros, incluindo as maiores metrópoles (e, consequentemente, as cidades mais poluidoras) do país, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, em um espaço total onde habitam mais de 108 milhões de pessoas, agregando três mil municípios.

 

Por Tairi Tonon Gomes, biólogo, economista, especialista em gestão de sustentabilidade e CEO da Pró-Ambiente

 

Mata Atlântica é um bioma composto por um conjunto de florestas e ecossistemas presentes em quase todos os estados do país, seja de forma parcial, seja de forma integral.

 

A Mata Atlântica percorre ao longo da costa brasileira e adentra em vários estados, apresentando um conjunto de formações florestais bastante diversificadas, como a floresta ombrófila densa, a floresta de Araucária, as florestas estacionais, o manguezal, a restinga, os campos de altitude, e os brejos interioranos. Essa variedade é resultado das variações climáticas e de relevo.

 

Algumas espécies de frutas que consumimos, atualmente, são nativas da Mata Atlântica, como jabuticaba, goiaba, araçá, pitanga, caju.

Assim, como a variedade na flora, a fauna da Mata Atlântica é bem diversificada, existindo cerca de 261 espécies de mamíferos, 1020 espécies de aves, 197 espécies de répteis e 340 de anfíbios.

 

Dessa forma, a Mata Atlântica é considerada um hotspots, que podem ser definidos como áreas com grande biodiversidade, ricas, principalmente, em espécies endêmicas, e que apresentam alto grau de ameaça. Essas áreas são, portanto, locais que necessitam de atenção urgente, sendo consideradas prioritárias nos programas de conservação.

 

A devastação da Mata Atlântica acontece paralela à história econômica do Brasil. Cada ciclo econômico correspondeu ao desaparecimento de uma grande parcela da mata. Apesar de muitas áreas serem consideradas regiões de preservação ambiental, esse bioma ainda sofre com o desmatamento.

 

A degradação da mata iniciou-se quando os portugueses aqui chegaram e retiraram grandes quantidades de pau-brasil, exportando-o para a Europa. Com o passar dos anos, o desenvolvimento no litoral brasileiro fez com que grande parte da mata fosse desmatada para inúmeros fins: agricultura, abertura de ferrovias e rodovias, construção e expansão de cidades, implantação de indústrias, etc. Isso tornou a Mata Atlântica o primeiro bioma brasileiro a sofrer um grave desmatamento.

 

Estima-se que, no ano de 1.500, essa floresta ocupava 15% do território brasileiro, com uma área de 1.306.421 km. Atualmente, esse número é drasticamente menor, com pouco mais de 100 mil km² da vegetação original.  Além do desmatamento, há o comércio ilegal de espécies da fauna ou da flora. 

 

A Lei da Mata Atlântica (Lei Federal 11.428/2006) foi promulgada visando proteger o bioma, mas isso aconteceu há somente de 15 anos, quando a devastação já era enorme.

 

As atuais áreas de conservação de Mata Atlântica são somente remanescentes trágicos do que foi antes uma grande floresta. O que podemos fazer é tentar aprender com os erros do desenvolvimento de nossas sociedades. Nesse aspecto, não podemos deixar que uma floresta com o porte do que é, ainda hoje, a Floresta Amazônica desapareça em meio a concreto, indústrias, poluição, superpopulação e campos imensos de agricultura monocultora de exportação: a pura manifestação do desenvolvimento insustentável do ser humano.

 

Há muito o que fazer para recuperar esse bioma tão importante. É um trabalho que exige esforço hercúleo e de longo tempo, mas que precisa ser intensificado pelos governos, nas diferentes esferas, acompanhado do análogo compromisso da sociedade cível.

 

A Pró-Ambiente está elaborando o Plano de Manejo da Mata Atlântica e Cerrado para o município de Jundiaí-SP, visando proteger e recuperar esse bioma.

Conheça mais sobre esse trabalho transformador nas nossas redes sociais e em nosso site!